CARPE DIEM


Cheguei a pensar que tinha perdido a vontade de escrever... Cheguei mesmo.


De uns meses pra cá, desde que saí do meu emprego formal e virei mãe em tempo integral – ainda que provisoriamente, hopefully - não conseguia encontrar um assunto que me causasse desconforto suficiente para sentir a necessidade de parar, sentar e encher a folha com palavras...


No final do ano, como faço há alguns anos já, quis escrever um texto para os amigos, mesmo sem estar muito a fim. Afinal, uma das coisas que mais quero fazer a partir de agora é justamente escrever, quem sabe até como profissão, e não é possível que justamente neste momento a verve resolva me faltar...


Bom, escrevi um texto que não me deixou 100% satisfeita, mas era o que eu estava sentindo e mandei mesmo assim. Uma coisa que aprendi desde que comecei a escrever e mostrar meus textos com mais frequência foi justamente isso: eu só sei colocar no papel e expor o que sinto e acredito . Não sei florear, não sei bajular e também não escrevo como passatempo. Escrevo porque preciso. Escrevo porque senão eu piro.


Mas a outra coisa que eu também constatei a partir desses meus textos não é propriamente uma novidade para profissionais do ramo ou até para leigos, mas vou falar mesmo assim: como tudo nessa vida, o efeito e a utilidade das palavras dependem do momento de vida e do espírito de quem lê. Na hora errada, Shakespeare dá até raiva, Freud enjoa, nem Drummond nos salva...


Por outro lado, é praticamente impossível não tocar ao menos UM coração. Tem sempre um cristo carecendo justamente daquele tipo de mensagem, dos sentimentos, ideias e apoio que você teve a felicidade, a dignidade e a sorte de traduzir em palavras naquele exato momento.


Aí, como disse – se não me engano – Madre Teresa de Calcutá (não exatamente com essas palavras): é para isso que estamos aqui. Para ajudarmos e fazermos a diferença. Nem que seja na vida de uma única pessoa.


E acho que foi isso que aconteceu com esse meu último texto de 2011. Eu não estava nos meus melhores dias quando o escrevi, fiz meio que sob uma certa pressão porque sei que vários amigos esperam receber essas minhas mensagens e já era dia 28/12... Não tive tempo de “maturar” o texto como costumo fazer, ou seja, “psicografar” e depois reler, lapidar, reler, polir, reler, ouvir, reler até o bicho ficar do jeito que eu considere pronto para “receber a senha contra edição de terceiros”, quer dizer, tornar-se “imexível” e eu poder dormir em paz.


Não fiz isso com essa minha mensagem de fim de ano e por isso sabia que não receberia o mesmo tipo de feedback que costumo receber, o qual, sem falsa modéstia, é 99,9% positivo, com várias pessoas me dizendo que se emocionaram com minhas palavras, que eu devia publicar meus textos etc. etc.


Balanço final: alguns nem sequer me responderam, outros fizeram elogios um tanto quanto tímidos, uns poucos enfatizaram meu jeito “engajado” de me expressar. Minha professora de yoga me perguntou se eu já tinha me acalmado, minha amiga Aninha disse somente “Gostei”.


Tudo bem. Juro. Nem passou pela minha cabeça comprar lâminas de barbear para cortar meus belos pulsos só porque levei a público um texto de qualidade duvidável. Talentos incontestáveis já tiveram seus dias menos inspirados, quem sou eu para pretender o impretendível...


Tô nem aí, pra falar a verdade.


Esses últimos 2 anos foram fora de série na minha vida e isso é o que realmente importa pra mim. Fui fundo e me questionei até não poder mais, até conseguir dizer em voz alta que eu sou uma pessoa legal, um ser humano do bem, alguém com talentos para provocar mudanças positivas. Uma filha razoável, uma mãe esforçadíssima, uma irmã muito gente boa, uma esposa inocente e fiel, uma amiga leal e preocupada. Como diria meu anjo Luciana, eu “me permiti” uma série de conquistas das quais vinha me privando há 40 anos, desde aquele 28 de agosto na Pro Matre... Descobri que o que eu tenho dentro do peito é bonito, é forte, pode ajudar os outros, pode me ajudar a evoluir e cumprir minhas missões com louvor. Posso dizer: minha história até aqui foi sincera e tenho gás para fazer ainda melhor daqui pra frente, agora que sei o que não sabia outrora...


Comecei a fazer terapia novamente em 2009, dessa vez levando a sério, porque meu estado tornou-se insustentável para mim mesma e uma ameaça para minhas descendentes. E a partir de então, descambei a escrever como gente grande, admitindo que esse era o melhor remédio pra mim e talvez meu maior talento.


Finalmente fui atrás de aulas de yoga, algo que eu sempre desconfiei ser o canal para uma vida mais significativa mas por algum motivo não chegava perto. Provavelmente (com certeza) porque só agora me tornei merecedora da melhor de todas as professoras e, há pouco mais de 1 ano, tem uma nova Bel morando lá em casa, uma que acorda todos os dias com a sensação de estar diante de um portal brilhante e totalmente aberto e se sente inundada de uma força e curiosidade infinitas, sabendo que esse é só o começo.


Nesses últimos tempos, ainda ganhei o presente de conhecer mais um anjo, encarnado como terapeuta naturista. Um anjo que me ouviu... Ouviu como eu acho que nunca ninguém tinha me ouvido antes, me disse coisas de um jeito que também ninguém havia me dito antes e eu fui ficando alegre feito criança caipira em dia de quermesse. Encomendei meu mapa astral natal (e fui apresentada a mim mesma, finalmente, de uma maneira doce, direta e edificante). Comecei a aprender como aplicar reiki, um lance que eu acho que até já praticava intuitivamente desde os meus 18 anos, mas que só dei nome em 2011.


Enfim, tudo isso para dizer que eu estou em pleno processo de evolução espiritual e mais feliz do que nunca. Que fico com os olhos cheios d'água e com os lábios trêmulos todos os dias, só de olhar para as minhas filhas. Não tenho vergonha de dizer isso, nem muito menos receio de parecer piegas. Tenho é muito orgulho de ser mãe dessas meninas e de sabê-las perfeitas fisicamente, de perceber como são muito mais inteligentes do que eu jamais serei, de como vieram moldadas para me ensinar uma tonelada de coisas que eu nunca aprenderia de outro modo. Fico emocionada, sim, quando vejo as perninhas da Laura dando impulso num balanço de parquinho, quando olho pra Luisa descobrindo o prazer da primeira bicicleta e me lembro do que eu mesma senti na idade dela, ao subir numa bike pela primeira vez.


Ando com aquele sorriso de quem não só viu passarinho verde mas também o pegou com as duas mãos, acarinhou, sabe de onde ele vem, porquê ele veio e como fazer para mantê-lo por perto pra sempre. Tô de bem com a vida, o que não quer dizer que ainda não perca a paciência com as manhas e vontades das minhas duas pequenas ou com a completa falta de timing do meu “so called” companheiro.


Não virei Buda e acho que nunca vou virar, mas me encanto só em poder dizer que aprendi a sentir a mais absoluta felicidade num passeio de bicicleta com as meninas num parque, num picolé de groselha em plena quarta-feira, no contato dos pés com a areia da praia, no abraço de uma pessoa querida, num bom livro, num prato de comida quente quando estou com frio e fome, na sensação da roupa morna na pele num dia de sol ou quando sou pega de surpresa sem guarda-chuva numa baita chuva de verão.


Tá mais do que bom, num tá não?


Carpe diem, meus amores.

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