QUEM MANDA AQUI DENTRO SOU EU!


Sei lá, a cabeça da gente é a coisa mais maluca que existe, né? Como é possível vivermos anos a fio com a mesma cachola e não a conhecermos o suficiente para ter pleno controle sobre ela?


Dia desses, minha ex-terapeuta me mandou um e-mail e, dentre outras coisas, perguntou como andava minha nova vida. E a cabecinha da Bel já dá aquele start na gana de responder a contento...


Não quero ser repetitiva para não bodear minha meia dúzia de leitores fiéis mas, só para fixar melhor o cenário deste texto, larguei minha amada terapia no comecinho deste ano, por questões financeiras, já que resolvi me aposentar do emprego fixo para exercitar com mais afinco a maternidade. Infelizmente, terapia ainda é um luxo para a grande maioria das pessoas e eu tive que fazer várias escolhas paralelas e decorrentes desta mudança de papel. Tudo bem. Não me arrependo. Como sempre diz minha professora de yoga, precisamos de muito pouco para viver, a maior parte é desejo, que confundimos com necessidade... E posso dizer, olho no olho, que até agora não fiz outra coisa a não ser confirmar que não existe trabalho nem carreira que valha mais do que o bem estar e a felicidade das minhas filhas.


Mas, como eu dizia, nossa mente é algo deveras capcioso. Ao responder a pergunta sobre minha nova vida, parei, pensei, e acho que tive uma espécie de insight: disse a ela, na sinceridade, que estava indo bem, mas sentia uma certa oscilação de humor, às vezes... Nada que possa ser diagnosticado como bipolaridade, mas tem semanas em que desanimo um pocadito, principal e quase que exclusivamente pela ausência de renda que, venhamos e convenhamos, engessa um tantinho assim o dia-a-dia de reles mortais.


Se fosse só por mim, tava beleza, mas com duas crianças e um marido piloto nesse país de aviação tupiniquim, estou chegando à conclusão de que dá uma canseira danada ser mãe “sem catraca”, saca? Correr atrás de programas gratuitos bacanas, parquinhos públicos decentes, os benditos e infindáveis presentes de aniversário dos coleguinhas, dia do professor, Páscoa, Natal, excursões da escola, musicais infantis, Disney on ice, achar um hotel-fazenda que não custe os olhos da cara pras meninas terem o que contar na volta às aulas e a família não ir à bancarrota pra pagar psicólogo daqui uns anos... E ouvir o “homem da casa” te jogar na cara que você não faz nada da vida...


Essa é a parte chata. Por outro lado, na maior parte do tempo eu estou na boa, mais calma, com toda certeza menos estressada do que nos tempos em que trabalhava full time com aquela pressão ridícula do ambiente de trabalho, chefes incompetentes, diretores idem... Faço yoga em casa, a hora que quiser, consigo meditar todas as noites antes de dormir, cuido do jardim, faço artesanato por hobby, levo minhas filhas na escola e participo muito mais da vida delas. Recomecei a fazer caminhadas diárias (santo remédio para o corpo e para a mente!), me alimento muito melhor, faço coisas que sempre gostei de fazer mas que parei por absoluta falta de tempo. Assisto à novela depois do almoço e até à sessão da tarde, se tiver vontade! Vou a exposições, visito museus durante a semana, uso a bicicleta como meio de transporte e até o transporte público porque, sem horário e fora do rush, a vida na metrópole tem outra cara e sabor...


Como isso, o resultado é óbvio e eu acho simplesmente maravilhoso poder observar tudo ao meu redor sem pressa, refletir, mudar o que está errado ou incomodando e, assim, redescobrir what life is all about, after all... É muito bom, sabia? A vida, pura e simples, na real (sem a preocupação com a máscara que somos forçados a usar a maior parte do tempo) é uma coisa deliciosa, uma benção, um baita presente!


Tô longe da iluminação e nem sei se vou chegar lá nesta encarnação (provavelmente não...). A nossa cabeça vive nos pregando peças, não podemos bobear um só minuto... É o tempo todo precisando nos lembrar que somos únicos, que estamos aqui por um motivo muito especial, que temos uma missão importante a cumprir, uma grande lição a aprender, um mundo a melhorar. Ninguém vem à vida a passeio, as pessoas que cruzam e fazem parte da nossa vida, mesmo que por um período somente, têm todas um significado, um papel, são todas valiosas de uma forma ou de outra. Tudo pelo que passamos, as dores, toda e qualquer experiência, são necessárias. Nossa mente tenta nos desviar do caminho, nos distrair, nos dá umas rasteiras de vez em sempre. O aparente cliché de que tudo pode acabar em um segundo é a mais pura verdade. Ninguém disse que viver é fácil mas nós escolhemos o cenário, o figurino, o elenco de apoio e ajudamos a escrever o roteiro!


Resumo da ópera: reclamar é perda de tempo. É inútil. Vergonhoso, até, pra quem tem uma lasquinha de brio. Tempo precioso. Tempo que temos para aprender e evoluir. E, literalmente, passar desta para uma muito melhor!


E é por isso que sou grata e defendo com unhas e dentes o direito que estou me dando de aprender a encontrar os meios que me permitam buscar um equilíbrio, uma vida com mais qualidade, o verdadeiro dever cumprido, uma herança de felicidade para as minhas filhas...


Alguém ousa discordar?

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