PRESENTES DA VIDA



Hoje recebi um presente da vida.


É engraçado, porque o mais fácil e corriqueiro é a gente reclamar da vida a maior parte do tempo. Desde o despertador, que sempre toca cedo demais, as tarefas ordinárias do dia a dia, o trânsito que não ajuda em nada muito pelo contrário. É dia que entra, dia que sai, uns melhores do que outros, mas dificilmente chamativos o suficiente para que demos graças com a frequência que deveríamos.


O oposto também irrita. Aquela tonelada de frases que vemos todos os dias no Facebook sobre valorizar o lado bom de tudo, agradecer a Deus pelos desafios e bençãos, cuidar de sua criança interior, apreciar a beleza de uma flor, blá blá blá. Tudo muito bonito, verdadeiro, cheio de sabedoria até. Mas se a maioria dos seres humanos já fosse capaz de viver full time nesta vibração, não precisaríamos estar aqui, certo?


Pois então. Deixando a hipocrisia bem longe, como é meu costume, eu não sou o tipo de pessoa que passa o dia mostrando os dentes pra tudo e pra todos. Nunca tive vocação para monge e a cada dia que passa tomo mais consciência de que a minha função nesta bodega chamada mundo é justamente contestar, cutucar, chacoalhar, “causar” e tudo o mais que for necessário para quebrar alguns paradigmas e, porque não, é claro, tentar ajudar as pessoas a enxergar a maravilha que a vida é apesar da nossa teimosia querer nos convencer do contrário.


Hoje (re)conheci uma amiga. Isto não acontece todo dia. Muito menos desta maneira instantânea. Poderia ter passado batido, eu podia ter “ignorado” um singelo post lido no começo da madrugada, o assunto era repetido e eu não costumo ter paciência para a repetição. Mas eu entrei na conversa e bastaram algumas poucas mensagens trocadas pelo bom e velho FB para que um café/chá fosse marcado para a semana seguinte. E lá fui eu, tímida como meus amigos sabem que sou, com a cara e a coragem tomar este tal café.


“A vida é como uma caixa de bombons. Você nunca sabe qual recheio vai pegar.” Forrest Gump disse isto e eu acho que ele estava certo. O problema é que, na maioria das vezes, abrimos mão do bombom por medo de um sabor desagradável. Afinal, a vida não passa de uma sequência de obstáculos, desafios, provocações, alguns breves momentos de fugaz alegria para logo voltarmos à mesma maçante ladainha, não é? Mas eis que, quando ouvimos nosso anjinho ao pé da orelha e pegamos o bombom, o risco de termos uma surpresa/experiência positiva é muito grande.


Hoje foi assim. Ganhei um banho de carinho gratuito. Ouvi coisas maravilhosas a meu respeito e eu as recebi como verdade porque ouvi também outras tantas não tão lisonjeiras e todas elas foram reconhecidas como uma descrição de quem eu sou. E esta pessoa também me disse coisas básicas mas não por isso menos importantes como: só existe uma Maria Isabel Marcondes Machado de Sousa Pereira nascida no dia 28/08/1970. Portanto, tudo que você fizer será único porque só você pode fazer daquele determinado jeito, ninguém mais. Óbvio, né? Mas não encontramos em cada esquina alguém que te enxergue tão bem de cara, te diga tantas verdades e te faça sentir tão especial a troco de nada.


Recebi este presente hoje e confesso que me senti um pouco desconfortável ao sair de lá com o coração tão aconchegado e pleno e não ter dado nada em troca... Aí resolvi seguir uma das dicas que ouvi e colocar este acontecimento no papel para compartilhar esta “boa nova” com outras pessoas: a vida é muito boa porque, mesmo quando cheia de trancos, solavancos e percalços, ela vem na medida certa para aprendermos e nos tornarmos uma pessoa melhor ao final da linha.


E o grande barato é se deixar moldar, dando rasteira nos detalhes, focando no propósito maior que é ajudar o outro, evoluir coletivamente e fazer do mundo um bombom mais saboroso.


Adriana, obrigada pelo “presente”. Pela incrível generosidade, pelo carinho espontâneo e por “me deixar entrar”. É por coisas como a que vivi hoje que vale a pena viver.

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