MAMÃE, DÁ UM "PAUSE"!



Ninguém conta absolutamente nada sobre a maternidade durante a nossa adolescência e o início da vida adulta. Acho isso um crime. Lembro-me dos testes vocacionais no colégio e das longas aulas do cursinho pré-vestibular. Da angústia para escolher a profissão “pra-vida-inteira” e da montanha infindável de apostilas com as “matérias-da-vida-inteira”; toda a pressão para entrar na faculdade. Por que dão tanta importância para uma parte e nem mencionam o perrengue de ser mãe para aquele bando de jovens tão inocentes e despreparadas?


Daí pra frente, o que acontece com a maioria de nós é mais ou menos assim: tirando as “Suzaninhas” (go Google, se não sabe do que se trata), as demais meninas saem da escola, escolhem uma profissão, fazem faculdade, conseguem o primeiro emprego e dão início à tão supervalorizada “carreira”. Neste momento, chegam até a se julgar em pé de igualdade com qualquer homem, imagine você! Têm a ilusão de que serão reconhecidas por sua capacidade e desempenho, que não há preconceito no ambiente de trabalho, que terão as mesmas chances etc. Acreditam, até, que conseguirão conciliar a carreira com a maternidade numa boa. Ha Ha...


Aí, paralelamente ao relógio biológico cada dia mais enlouquecido, começam a perceber que não vivem no País das Maravilhas, que nunca chegarão à Cidade de Oz, que Neverland não existe. Traduzindo: não demora muito para nos darmos conta de duas nuas e cruas verdades da vida da mulher que descobre que quer (mesmo!) ser mãe (de verdade!) nesta encarnação: 1- Carreira e Maternidade (assim, com letras maiúsculas) são, SIM, concomitantemente excludentes e 2- filho pequeno não quer saber de “2-horas-por-semana-de-tempo-de-qualidade”. Criança quer a mãe só pra ela, o tempo todo, quanto mais tempo melhor e sempre será pouco... (Até uma chefe que tive em um grande escritório de advocacia, uma das pessoas mais desprezíveis com as quais eu tive o azar de conviver, interrompeu sua carreira por cinco anos para se dedicar aos filhos. Depois disso, voltou a infernizar a vida de jovens advogados como eu, mas isto já é outra história...). Enfim, filho não quer saber se você é advogada, médica, psicóloga ou decoradora. Nem se é mulher, esposa, ser humano. Mãe, na cabecinha deles, é propriedade exclusiva e pronto.


Chegamos, então, no porquê do título deste texto. É que me dei conta, outro dia, que ele explica muito bem meus sentimentos atuais em relação à maternidade.


A Laura, minha caçula, fala isto desde pequena, sempre que ela quer que eu pare instantaneamente de assistir algo na TV para atendê-la: “Agora eu não posso, Laura!”, “Ah! Mamãe, dá um “pause”!”


OK, Laura, mamãe sempre dá um “pause”. Aliás, mamãe não faz outra coisa na vida desde que vocês nasceram a não ser dar um “pause” atrás do outro...


Com uma filha de sete e outra de cinco anos, me caiu esta ficha: ser mãe também é “dar pause”! E “as God is my witness”, minha lista de “pauses” é grande pra dedéu. Viajar para o México para comemorar 20 anos de um acampamento internacional que fiz na Noruega: “pause”. Passar uns dias em Varginha para visitar uma amiga que não vejo há mais de 10 anos: “pause”. Fazer um curso bacana que dura 4 dias: “pause”. Happy hours, museus com calma, feirinhas de final de semana sem horário: “pause”. Tocar violão na casa de amigos até de madrugada: “pause”. Casamento de uma amiga americana em Cancun: “pause”.


A lista é interminável, inútil continuar. Até porque o que eu quero dizer aqui, é que fica muito mais fácil encarar e curtir a vida, e principalmente a maternidade, quando entendemos esta fase de “pause”. Pode ser que seja mais natural para algumas mulheres, mas pra mim não foi. E acredito que para muitas, também não seja. Parar a vida, a carreira, adaptar os relacionamentos, deixar planos em suspenso, aceitar e entender que o momento agora é dos filhos e não seu. Pelo menos não do jeito que você gostaria, a maioria das vezes.


Ainda me revolta um pouco a omissão de todos em nos abrir os olhos e preparar para o real significado do papel de mãe. Pro bem e pro mal. Mas acho que, na verdade, nossas próprias mães se “esquecem” de nos alertar porque, no fundo, sabem que o amor que sentimos por um filho é uma coisa tão avassaladora, transmuta tudo num grau, que a gente supera qualquer dificuldade.


E todos os “pauses”.


Obrigada, minhas pequenas, de coração, por serem os controles-remoto mais lindos que eu poderia sonhar em ter.


E parabéns para você que é mãe, por dar tantos “pauses” na sua vida, com toda a maestria e carinho deste mundo, por puro amor!

*****************


Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Nenhum tag.
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square