AMO SER MÃE #sqn

Sobre o Dia das Mães. Ou, mais especificamente, sobre a “moldura” que o Facebook disponibilizou para esta data, e que eu já vi várias mulheres aplicando em sua foto de perfil: “AMO SER MÃE!”


Quem me conhece um pouquinho já vai dizer “Lá vai a Bel provocar polêmica por uma coisa à toa”... Prometo que não vou. Não entrarei na seara da eventual hipocrisia, porque não estou aqui para julgar ninguém, e também porque cada um faz o que quer da sua vida. Vou, quando muito, dar minha opinião e propor uma reflexão, porque acredito sinceramente que a maioria das pessoas não para pra pensar antes de fazer essas declarações nas redes sociais...


Dito isso, eu pergunto: Você realmente, em sã consciência, AMA ser mãe? Porque eu até hoje não conheci nenhuma mulher que ame “arrendar” o próprio corpo durante nove meses, perdendo totalmente o controle sobre ele, vê-lo aumentar de todos os lados, com todas as limitações que a gravidez nos traz, sendo privada de comer e beber várias coisas gostosas e comendo outras não tão gostosas, tudo isso regado à culpa e ao medo de fazer mal ao bebê... Qual é a mulher que acha bom o momento do parto, seja ele natural ou cesárea, por mais lindo que seja seu significado (dar a luz!)? Quem gosta de ter seus mamilos sugados ininterruptamente de três em três horas, durante alguns meses, e ainda ser obrigada a fazer cara de feliz para o bebê não crescer complexado? Passar noites e mais noites em claro, com cólicas intratáveis, febres, pronto-socorro, pesadelos, vômitos, trocando o lençol onde seu príncipe fez xixi às duas horas da madrugada? Seja sincera. É bom passar pelo menos 15 anos sendo motorista de criança? Levar e buscar na escola todo o santo dia, aula de Inglês, de esportes, de música, reforço escolar, dentista, fono, pediatra? E se precisar apelar para o transporte escolar, correr o risco de pagar anos de terapia para o anjinho se recuperar do trauma de passar 4 horas por dia dentro de uma van?


Vamos lá que não acabou... Existe alguma pessoa que goste de ouvir desaforos, ofensas, e ser magoada ocasionalmente desde o momento em que o(a) filho(a) aprende a falar, passando pelo tormento da adolescência, até ele(a) se tornar pai/mãe e finalmente entender o que significa amor incondicional? Você encara realmente “de boa” não ter hora para dormir, mas ter hora para acordar, principalmente nos finais de semana; não ter tempo livre para cuidar de você por alguns anos, frequentar reuniões de pais, participar de grupos de mães da escola no whatsapp, sofrer as pressões da sociedade que exigem que seu filho tenha uma alimentação 100% saudável, sem produtos industrializados, de preferência orgânicos, sem glúten, sem lactose, cinco frutas diferentes por dia, nada de açúcar, farinha branca é um veneno, se der Coca-Cola para seu filho pode ser acusada de tentativa de assassinato? A obrigação de fazer pelo menos uma refeição por dia com a família reunida, levar seu filho para brincar ao ar livre uma hora todos os dias, acompanhar a lição de casa, estudar para as provas, sair para comprar papel quadriculado no domingo à noite porque sua filha diz que o trabalho é para segunda de manhã, e depois descobrir que era para a sexta-feira seguinte?


E o lado financeiro? Alguém acha legal nunca mais conseguir poupar dinheiro, gastar seu suado salário em leite, fraldas, figurinhas, geléca, cartas de Pokemon, ingressos de show e aparelhos de dente, passar uma década desperdiçando suas sonhadas férias em viagens “kids friendly”, encher a mala com souvenirs inúteis, sem falar na grana para manter o cachorrinho da sua filha que quase te enlouqueceu pedindo um amiguinho peludo e jurou por tudo que é mais sagrado cuidar e passear com ele todos os dias (mas é óbvio que a promessa durou menos de uma semana e sobrou tudo para você!)?


Pois é... Não minha modesta opinião, conta-se nos dedos de uma só mão as mulheres que NASCERAM para ser mãe, e encontram um prazer genuíno em executar essas tarefas, abrir mão de suas carreiras e se dedicar exclusivamente a seus filhos. Já eu, vou cometer aqui um pseudo-sincericídio e dizer: eu não AAAMO ser mãe! Hashtag prontofalei. Eu amo as MINHAS FILHAS. Curto, da melhor maneira que posso, desempenhar o papel de ser mãe delas. E não me arrependo, nem por um segundo, da escolha que fiz porque, para mim, a maternidade complementa esta minha existência. Mas dizer que eu AMO gastar as melhores décadas da minha vida sem poder fazer o que quero e quando quero, aí já é demais!


A escola das minhas filhas perguntou o que é ser mãe, para mim... Para mim, ser mãe é se lembrar, todos os dias, do contrato que você assinou com Deus quando resolveu criar um filho Dele, e fazer o melhor que você pode para cumprir esta honrosa missão. Além de ser a decisão mais acertada que eu já tomei na vida.


Feliz “Dia das Mães” pra nós!



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